26 de novembro de 2015

ardências

retiro o que digo
não
não retiro

arte arde em meus olhos
quando te
culpo por existir tão bonita
tão doce e safada
tão olhos de pradarias peladas
bronzeados pelo escuro do meu céu
vegeto assim
em estado de-composição
anímico histórica
pra armstício
pura retórica
de um governo esquecido
ascensão
desgovernada
apesar de seu contínuo golpe de estado
de ser
atenciosa
com meus tesos líricos
te abordando com a inveja de quem
te quer
inteira
tomada
ao menos em meus olhos
ao menos em conjecturas
nervosas ardentes nervuras
indomesticáveis

10 de abril de 2014

Cenas (Conto)

Se chuva quente ou fria, fruía sempre verões que brasas não me acendiam não posso me acalmar diante de suas tensões noturnas, que copulam comigo e tantas outras, madre teresas, em Calcutá, Bogotá, Chile, posso ficar nua se quiser, tirar meu xale, enrolar-te em formas sinuosas de estrada perigosa desde que fomos cantar à beira mar e o peixe pulou em minhas costas e latejava latejava que dava prazer pela primeira vez sentia alguma coisa, ele não era páreo pra você, vira lata come sujo todas fontes de cheiros indesejáveis como quando te peguei na cama fazendo arfar com aquela, com aquela cigarra, gritos estridentes os dela, beirando meu colapso.

Máxima culpa apertada a sua de enfeixar então minhas coxas num membro só, que de tantas apunhaladas ainda sobrevive sem nexo em suas dobras, estendidas por sobre seu rosto, querendo-te fazer meu, fazendo de contas que virando e mexe um suor só seria o suficiente pra me fazer em estupor de prazer infinível.

O tempo termina assim... que sai e você da rua acena insuportável pra janela de mim fora de mim insípida estou então tão terrena, jogando fora suas roupas, seus credos, assim como opções estúpidas digo que sou tola mesmo assim, não podia me aparar cortando os cabelos, touca pobre de obstar filhos, insuportáveis que são, berrando do outro lado da parede gasta com roncos seus que me faziam acordar então só e furtada de meu sono breve sem sonhos que era estar vigiando aquela trupe de circo que faria todos nós felizes, porque não? uma tropa de moleques e nanas nenês quentes durante a noite, trocando suas fraldas seu velho babaca que só quer subir de bondinho sem risco algum que criança não trocaria por nada aquele friozinho de barriga cheio de energia pra dar, entrega de quando em quando uma ou duas pizzas que sumidas pelo vinho branco me azeita até chegar à superfície o líquido branco que então me faz lembrar de sua tia e suas tetas apostadoras, intuição para fins de acordo específico entre eu você.

Não, não há acordo, desde que eu me enxergue inteira inefável um dia inteiro sem sequer sair do berço fui então amparada ao cair, caí como quem veste uma roupa de supetão como a vez sem direção arrancou os botões de minha calça jeans que inflava ao receber-te assim tão inteiro, tenha dó de mim, por favor não se vá, não, me deixe tonta mais uma vez, sobe depressa em minhas costas, Jerusalém em dois passos, maomé deitado em minha cama faço dele um campeão, já faz tempo que cruzei com você no avião, olhando jeitoso pros meus lábios que não sabiam sorrir, uma intenção dourada crescia veloz, ah meu deus, aquele dia fiquei com medo da morte, não era o avião, ah, delícia suspensa daquele jeito em seus braços, interrompida pelo toque de cartas se soubesse a profecia.

Desde então o balanço me persegue. Nada como aquele dia.


Não me encontre deitada. Não se esqueça de mim. Não faça de conta que sempre estará aí, pronto a me pegar no colo e embalar-me enfim.

5 de março de 2014

o carnaval acabou | série BLOCOS

7.

o carnaval acabou
a prazo destes versos vencerem

4 de março de 2014

refúgio | da série BLOCOS

6.

refúgio
na Santa Fé

depois de 2014 carnavais

almas perdidas na luz | série BLOCOS

5.

Lua cheia
brilha aqui
como em outro –
qualquer festim

longe da
resistente
e excessiva
LUZ

marchinhas | da série BLOCOS

4.

a pipa do vovô não sobe mais...

não sei fazer marchinha
(vovô, existem outros carnavais)

bloco da avenida um | da série BLOCOS

3.

bloco de carnaval da avenida um
passa às sete
(da madruga,
todo dia)

os mendigos,
os viciados,
os inquietos

– todos santos e prostitutas

3 de março de 2014

outros carnavais | da série BLOCOS

2.

parece que foi uma lágrima que o pegou
durante os carnavais

a vida não acontecia tão magrela
desde a criação do mundo

com os fundilhos à mostra
e tanta terra a se tocar

seu olhar procurava

o mar em fuga







(desde agora,
posso dormir em paz)

2 de março de 2014

BLOCOS

1.

afinal,

é tempo de carnaval
(me disse o analista)

então fui ao dentista

6 de dezembro de 2013

Lançamento livro - parapeito- Caio Garrido

Eu e a Editora Patuá convidamos a todos para o lançamento do livro "parapeito" - Caio Garrido

O evento será realizado dia 11/12 a partir das 19h30 no Bar Paulistânia - R. Daniel Kujawski, 193, Ribeirão Preto - SP.

A entrada para o evento é gratuita e o livro estará à venda por R$ 30,00 (pagamento apenas em dinheiro ou cheque). O evento terá música ao vivo (Acústico - Voz e violão e não haverá cobrança de couvert artístico).

O livro já está à venda no catálogo. As compras pelo site podem ser parceladas em até 12x. Aproveite!

Saiba mais sobre o livro e o autor em: http://www.editorapatua.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=216

Em breve, lançto. em SP
.

8 de outubro de 2012

O Defeito de uma geração


Da qual me incluo, porque num domingo de sol estranho e inevitável, podia estar na piscina, com Clarinha, levantando lençóis d’água, comendo camarão da espanha, criando ondas tímidas com as palmas de suas mãos, vivendo o júbilo de uma presença.
Desde que as regras deste mundo cessaram para você, e que agora de nada valem também a mim, dei por conta das coisas que chovem sem água, que gritam sem esperança, que desaparecem, mas com destino mais do que conhecido.
Porque do futuro se traçam planos intermináveis, e de fato essas coisas são do futuro. Deixá-las no plano do abstrato, tal qual é agora a sua fotografia, com você, num plano iluminando a tudo, e o fundo, um nebuloso e feliz dia de domingo.
Porque, num domingo de sol descabido e interminável reparo eu nas costas fluentes que me levariam ao paraíso de sabrina? Mesmo após ela ter me deixado, pois segundo suas consequências, eu lhe trazia péssimas lembranças. Por isso vigio constantemente meus passos, a fim de que não esbarre em nenhuma delas.
Mas hoje, domingo de sol revoltante, caminho na insegurança de meu voto. Eleições municipais. Pelo sétimo ano de minha vida posso escolher alguém em quem depositar uma nova esperança. Tá certo que é domingo, de soçobrar em gélidas camadas de nostalgia, mas o sol não me deixa pensar. Por um minuto, atordoado, penso em voltar pra casa. Enquanto isso vou quase desmoronando na piscina de papéis no chão, com santinhos de todos os tipos, os que lhe fornecem reencarnações seguras, casas populares na praia com colchão pillow top, os com sorrisos decorados, os com sorriso sardônico, deus me livre de tantas fisionomias mortais.
Mais mortal que meu leve desconcerto, esses fantasmas vão me deixando cada vez mais confuso, onde não sei o começo meio fim do que vou falar pra Clarinha quando chegar em casa, pai o que você foi fazer, filhinha fui obrigado a fazer uma coisa contra minha vontade, mas aí penso ela está morta, não sei o que fazer, não sei o que pensar, o que me leva a crer que eu é que estou morto, mergulhado nessas trevas.
Pois bem, vamos falar de coisas boas então. Soube que sua mãe vai se casar novamente, tenho boas perspectivas sobre isso. Temos que pensar no seu vestido.
Desde o dia que ela me falou que seria num domingo, que por acaso é hoje, e não é por isso que estou assim. Não é pelas escolhas que temos a disposição serem as mais pobres, hoje o sol está realmente muito forte, muito mesmo.
Pêssego com morango, não era esse seu sorvete favorito? Daria um braço por uma manhã ensolarada assim. Seu pai não tem mais idade pra tomar sorvete sozinho na praça, ainda mais depois de uma eleição. O que você iria pensar de mim? Culpado por continuar a manter este mundo inabitável. Não sei por que não vou lá e arrebento aquelas urnas, faço votos de bom cristão, ou pulo do décimo terceiro andar, que foi onde sua mãe me tirou na primeira tentativa.
Pois é, hoje ela não iria nem tomar nota deste que vos fala, pois o endereço dela é a igreja das causas e graças impossíveis, o Casamento.
Sabe-se lá o que ela pensa, se vai ter um novo filho, se vai me pagar pensão por ficar levantando questões impossíveis de se responder no jornal toda manhã. Até que hoje estou de folga, posso vir aqui encher a cara de pensamentos mórbidos, não sei se por causa dessas entidades que me assustam, que me fazem torcer para um fim rápido, e pode ser doloroso, mas que seja rápido. O que eles me forçam a fazer é de tamanha magnitude, que como poderia escolher entre dois candidatos de igual pavor? Saí como se algo faltasse em minha carteira. Não, não perdi nada, só minha dignidade, minha consciência, que vã vai vagando e vadiando de lembrança em lembrança até não sobrar nada, não sobrar nem aquele teco de pão que você me ofereceu no jantar de sua despedida, papai pega um pedacinho, tô sem fome. Eu também minha querida, estou sem um toicinho de fome. Mas daria tudo por aquele pedaço.
Amanhã preciso me atirar do primeiro viaduto que passar com meu carro rumo a meu último emprego. Não sei o que meu chefe pensa de mim, mas boa coisa não deve ser, tenho de ser uma boa persona, só isso. Posso fazer o mesmo que esses candidatos a postos que por mais públicos que sejam, são os mais escondidos do universo. Mais do que a partícula elementar, descoberta há pouco pelos físicos: Bóson de Higgs, a partícula de Deus. Talvez ela possa nos salvar, nos redimir por essa má conscienciosidade. Talvez ela nos dê a democracia da nova criação. Que possamos nos criar a cada dia, como novos personagens de um filme antipático e mal escrito.
Papai me pega no colo, quero ir dormir. Tá minha filha, boa noite. Papai vai ficar velando seu sono. Um beijo.

23 de abril de 2012

Livro disponível para leitura- Poemas- Sonambulovisão

Livro disponível para leitura integral- "Poemas auto-escritos em estado de Sonambulovisão":

http://www.myebook.com/index.php?option=ebook&id=123654

10 de abril de 2012

Conto: Como se mata um homem

Molhada no banheiro do número 15 do 1º andar do Edifício Escada, Ana Catarina se esfrega ao chuveiro ouvindo Miles Davis e seu bando. Todos os meses de dúvida, dor e tensão estão de novo ali, pululando ocultamente, prontos a serem reencenados. Ela não sabe das reais intenções de Marcos. Nem ele sabe. Mas isso talvez não importe nesse momento único de intimidade ao chuveiro, em pensamentos que bastam em contemplar-se. A música tocando, e as cataratas descendo, compunha, como em serenata, a silhueta de um corpo de trinta e cinco anos, sessenta e cinco quilos de carne bem distribuídos, fruta desconhecida – daquelas que se abrem em cachos – sofrendo agora o perigo de novamente ser suspensa pelo aconchego dos cabos de aço do matrimônio.

A primeira vez que Marcos se pegou rezando em tê-la, foi depois de uma masturbação mal sucedida, que o fez adotar de vez o pseudônimo do amor; Ana Catarina, depois de muitas, sua primeira paixão.

Tudo que Marcos queria – além de possuí-la – era entender aquela fonte de prazer. Para isso, achava que devia se casar. Mas tinha uma riqueza enorme de dúvidas.

Marcos resmungava pra si mesmo: “Felizes daqueles que sabem rir do calor da fricção dos corpos sem precisar de uma chancela mágica.” (É, Marcos, o étimo da necessidade não é necessariamente o mesmo da felicidade...)

Ana Catarina, depois de ter ido ao México, se enchido de tequila, e gozado horrores com seu companheiro de congresso, também deu um ultimato às suas incoerentes escolhas. Não queria errar desta vez. Queria ter coragem de assumir esse corpo, essa mente, esse conflito, e ir em frente, aprendendo com os erros do passado, sem se frear por isso.

A terapia de Marcos não funcionava. Pediu um tempo a Romário, seu analista. Toda vez que terminava uma de suas sessões, saía culpado, provavelmente por não dizer: “Não quero mais essa mulher!” – Isso pra ele ainda era interdito.

O sangramento de Ana comprovava mensalmente que a ruptura fatal ainda não havia se dado.

Já Marcos, se sentia mutilado por um alfinete.

Ambos, símiles de feridas diferentes; Entretanto, a ferida que Marcos carregava era um temor, uma antecipação de carnificina emocional.
Enquanto Ana toma banho, Marcos espreme suas espinhas ao espelho do quarto de solteiro. Ainda não tem maturidade suficiente para encarar a vida a dois. Na verdade, não sabe se um dia realmente terá. Por isso volta ao quarto e deita novamente.

Ana sai do banheiro marcada por um véu, revelando uma delgada brisa que perpassa seu corpo de cima a baixo.

Marcos se encontra dopado na cama, jogado, com a cabeça pendente para fora, os pés duros quase entrelaçados, se é que isso é possível. Ana se lembra das ofensas tribais que desfilaram sobre seus ouvidos na noite anterior. Talvez seja melhor assim, Ana. Deixa o pacato nervoso dormir, que ele perdoa o mundo por mantê-lo ainda um ser vivente.

Apesar da morte aparente, Marcos acorda, revive; bombeando primeiro o sangue semigangrenado das pernas, depois chacoalhando os membros magros da parte superior. Outros ainda parecem rígidos. A cabeça está tensa, e o cabelo, na sua quarta parte, parece maciço; dá para enterrar, jogar terra, pedra e cuspe em cima que não irá se mexer.

Eis que teimoso, Marcos pede desculpa por sua atitude anacrônica da noite anterior. Mas Marcos!, o ciúme nunca sairá de moda...

Ana não revela, mas já o perdoou por isso (e muito mais). Incauto, Marcos só consegue um início de remissão de seus pecados na terceira investida. Meio mambembe, tenta beijar o lóbulo da orelha mais imperfeito da moça.

Estimulada, mas sem amor para doar, sacode o corpo e o manda limpar a sujeira da cozinha, plantada depois do surto. Marcos vai volta, vai, volta, e parece não entender o pouco que necessita a questão. Uma varredura nos interiores de sua alma diria que ele tem medo. Muito medo. Mais do que medo, ele sempre sugere a si uma série de dúvidas fatais que impedem o porvir. Suga então o macarrone do perímetro perto à porta, emudece os mosquitos picantes que se auto-disparam contra a parede cheia de molho, suja com suas partes mijadas o cesto de seu barraco, e volta ao quarto adornado de tesão.

O que é que ocorre com esse moleque, cabeça que se move a toque de lata? Dê-lhe uma pancada Ana! Por favor!
Mas Ana Catarina, molhada mais uma vez, tem dificItálicouldade em resistir ao impacto das marés de Marcos; Rajadas de vento no pescoço, fortes odores da natureza, sutis erosões internas, chuvas de todos os tipos a silenciam pouco a pouco, amolecendo o solo, determinando o jugo superior dos deuses.

Devagar o silêncio vai se tornando perigoso, deixando o território propício a estímulos eletromagnéticos de toda espécie. E quando a proximidade dos relâmpagos não é bem calculada, toda quantidade de raios possíveis pode se irradiar ao mesmo ponto.

Ana não calcula o risco, muito menos os atos não refletidos que não param de detonar em Marcos toda a ordem de devaneios cósmicos no juntar de corpos e almas.

Luzes apagadas, tremulações...

Terremoto no quarto.


Depois da última investida no meio das pernas de sua amada, Ana, ainda meio tonteada, se torna a santa em êxtase que Marcos necessita.

Marcos desce chorando as escadas de seu quarto alugado, e vomita em duas fases o prólogo trágico: “Casa comigo!”



Caio Garrido

20 de março de 2012

Dona Carolina



Dona Carolina, tem coisas que o amor indica.
Dona Carolina, você deveria ter feito um esforço.
Quantos corpos autofágicos você teve de encontrar?
Sua filha desvairada ainda anda por aí.
Se eu tivesse sono o suficiente, quantos furos drásticos eu teria evitado em te fazer?
Na qualidade de ex-médico e amante, quantas vezes veio a matar-me com a velocidade de um sem-dó?
Quantas vezes veio a liquidar-me em meio ao falsear de cócegas a brotar de seu interior?
Seu primeiro filho tomou suas roupas pela mão e foi brincar de prostituta pelo universo...
Seu segundo teve a descoragem de nem dizer adeus antes de morrer de peste pneumônica.
Não me lembro do terceiro, que nasceu na infância da minha recém-adquirida (e renovada) solidão.
Se eu tivesse tido sono o suficiente, quantos matos perdidos que tu entraste, eu teria me impedido de ver?
Sobraram seis, cinco, quatro ou três novos solitários que você criou.
Deu de mamar, amacetou-os com seu peso ordinário, deixando-os à deriva de seus próprios pensamentos.
Muita coisa pende ainda de minha cabeça ao seu poço submerso.
Dona Carolina, tem coisas que o amor indica.
Dona Carolina, se tivesse sono suficiente, mesmo assim,
nunca esqueceria de te dizer que agora sou só sua dor.

11 de janeiro de 2012

pelas bordas é que me penso



pelas bordas do abismo é que me penso
é por elas que ergo minhas pontes

7 de janeiro de 2012

pernas



pernas
como troncos
entre-tanto
entre
entanto

entre
em tanto

entre
em tantas

8 de dezembro de 2011

tudo que ainda dura

Tudo que fiz nesta vida
(assim a chamam)
foi desertar
– de mim mesmo?

paciência dura um bocado
quando se tem
espera de nada

15 de outubro de 2011

andei a medir o tempo

andei a medir o tempo
com medidas, centímetros
precisões

réguas de nada
andei calculando mal

precisava de mais instrumentos
uma lupa comprada
zoom do espaço investigado
o espaço é geométrico,
pensei.
O tempo
fruto da distância,
ou da aproximação

mas eu consigo ir
ao perto
de tão longe

e ao longe
de tão perto

e para medir:
tamanho das esferas,
dependo do tempo e,
graus de localização
velocidades e constantes

talvez o vocabulário
também me ajudasse
fui, busquei o glossário
e todas as métricas
todas! estavam lá…

percebi no tempo
duas faces
forma
e sensação

de alguma forma,
Ambas, na ponta da faca
ilusões na fonte

é tudo que vi

regras de nada me serviram
andei me calculando mal

maculando o presente
Infinito curvo
ao cubo
Irrepresentável

3 de setembro de 2011

Setembro caído




todas as vestes que me ponho
são de verde material gasto

suas típicas feições de novo
tecem fáceis e longos rasgos

em que me deito e logo sinto
as folhas de setembro caído

9 de agosto de 2011

Pé na Grama



Quero apenas o silêncio da chuva

sem o ciúme das coisas que partem sem realmente partirem

8 de julho de 2011

Sobre a Técnica



A técnica do parto
o médico a estuda
– na literatura

A técnica do choro
o recém nascido
vem sabendo a partitura

A técnica do canto
o pássaro ensina
você vai penar
pr’atingir a sua “altura”

A práxis do choro, do canto
parte de um português rebelde
irresolvível
versátil
daquela linhagem que não cura

Verdadeira linguagem,
desarma
Transforma humilde em Teotônio
uníssono de outono

A busca da perfeita técnica
ilusória
é a busca dos caminhos planos

12 de junho de 2011

A Bagagem




A iluminação daquela sala, um local de excelência, mas uma clínica médica como todas as outras, urdida de espera, tinha luzes dispostas em posições que variavam de perpendiculares a paralelas, redondas a triangulares, ângulos dos mais diversos e harmônicos, de efeitos perfeitamente pensados e planejados. Exterioridade etérea, quimera de limpeza. As luzes do ambiente iluminavam os curtos instantes antes das horas não planejadas, escuras, como impressões que antecipam o vazio dos ambientes sem portas janelas limites vale dizer que toda essa aparência combinada indicava que qualquer mazela humana poderia ser curada naquele breve ponto de espera para uma melhor, seja ela qual fosse.


Num apartado dia, de muitos ou poucos que ainda se sucederiam na vida daquele menino, as pessoas – testemunhas do vácuo cotidiano – estavam comumente sentadas em suas cadeiras bem distribuídas. Tantas pilhas de revistas postas ali, eram como chamarizes de pinturas de vidas felizes, também apartadas da realidade. Revistas com casas, caras preciosas, raras e alegres, como se não fossem costuradas, quase que produzidas para disfarçar os nós que a realidade ansiosamente aguardava para mostrar.


Resultados de exames são realmente esperados? Nestas horas, é melhor imaginar estetoscópios com asas, bisturis andantes, jalecos espaciais, dar a volta ao mundo e vir de novo.


O campo onde se daria o veredicto médico àquele aspirante a rapaz seria naquele consultório miúdo, minúsculo, como os olhos insensíveis do médico juiz.


Havia um dano razoável a se refletir ao sair daquela salica: Um mundo que se tornaria pequeno, mundo arrancado de um garoto de apenas sete anos.


Se temos a força de antecipar os fatos, façamos força para entender os possíveis desejos dele diante da perturbação a ser anunciada pelo destino. O menino sempre teve consigo a ambição de não levar nenhuma bagagem para uma viagem.


Viajemos para trás então:

Ele teve exemplos clássicos de partidas que usurpam o sentido das coisas.
A falibilidade humana se mostrara cedo na família.

Quando o mundo comunicava uma fila de prazeres e janelas de horizontes felizes, seu irmão mais velho morreu de uma morte comum, banal, que sorteia antecipada e casualmente alguns seres.
Tornara-se um pequeno adulto de uma partícula de hora a outra.
Sabe-se que dons tem os sensíveis… Dizem que enxergam o que os outros não vêem, ou que falta-lhes a capa vermelha para disfarçar os chifres do touro que sempre nos rodeia.
Seu fabuloso irmão, um pequeno homem de andar fácil, desembaraçado, vivendo como se o mundo passasse por um asfalto rolante sob ele, de repente foi chutado pelos astros.
Apesar de novo para o sucesso, seu irmão conquistou glórias por seu carisma na TV. Começou com propagandas, depois aparições em programas de auditório, e mais tarde em séries juvenis.
A família, por vezes o acompanhava. Eram peregrinações por estúdios e rádios de cidades aparentemente vizinhas.
O que soma a essas circunstâncias é que ele, o menino, cada vez mais menininho conforme seu irmão ia crescendo, puro em seu sentimento de mundo convidativo e amplo, não tinha a capacidade de apurar e filtrar os fatos. Via tudo que seu irmão ganhava, todos os presentes que carregava. Tudo aquilo o seduzia, mas mais sedutora que a vida, anda a morte a nos acenar. O silêncio e a dor são melhor conduzidos quando estão disfarçadamente invisíveis.
Começou então a fabricar ideias das mais superlativas. Paz na Terra, Infernos nos Céus. O júbilo se dá aqui, agora, não em outro lugar, não mais. Mas aquilo que se julga bom, arde na mão por sua periculosidade transitória.
Começou a lutar contra sua adesividade ao mundo.
Superar todas aquelas lembranças antes gostosas para ele – como as guloseimas-sem-fim de sua avó – eram o ápice de seu desejo. Não era o irmão a sua falta, mas aquela coisa a que se dá o nome de esperança, que em certa época de nossas vidas existe sem percebermos ou suspeitarmos.
Passou então a andar nu pela casa, plantou sua árvore, queimou seus livros e cadernos de futuras escolas, assassinou a tiros de chumbinho suas “filhas” (as grandes formigas raimundas que criava no quintal), afundou seu time de futebol de botão no campo enlameado do bairro, rompeu com a televisão, e juntou toda sua coleção de tampinhas de coca cola de todas as épocas e arremessou-as no riacho mais próximo, pois caso o rio, próximo não fosse, o desgaste emocional de carregar todas aquelas tralhas consigo seria demasiado.
Havia questões ali, que além de pontos de interrogação de uma subjetividade, eram vontades incompletas de se criar pontos de exclamação.

Passado todo esse tempo, algo havia crescido dentro dele, evidentemente não era ele. Uma espécie de tumor de humor negro dentro do coração. Naquele marcante dia no consultório, a notícia amplificada na voz grave do doutor era clara:

“Ponha o dedo mindinho na ponta do peito. Sinta o vagar de seu coração.”
“Ele parece oco, doutor”
“É grave, é bom planejar somente três aniversários.”

Foram sete anos para se formar aquela vasta área, que podemos desenhá-la mentalmente num perímetro interno. Lá estava seu órgão antes pulsante, agora não mais que um leve tic-tac.
Também foram estes sete tempos que ajudaram a desgastá-lo e concluir uma má formação, que pode parecer congênita, não há mais seres como antes… É essa coisa que vem e faz crianças virarem idosos, velhos virarem crianças, crianças se tornarem inválidos.
Subitamente, todas suas lembranças de suas andanças com seu irmão voltaram. Eram memórias absurdamente felizes, insanamente vorazes, anormalmente tenazes, a lhe dizer que nada fora ainda renunciado.
Como livrar-se de todo aquele ácido emocional? Um pranto oculto estava diluído no seu sangue, não iria ser tão fácil assim se despedir das formas, das sensações e das vilãs boas memórias, dos lugares, dos fatos, dos futuros.
Mais do que nunca, era absolutamente necessário ir embora, não gostar das partituras e apostilagens da vida. Não dá pra cabecear no infinito.
Passaram-se dois anos. Iguais em tamanho, superiores em atitude.
Além de satirizar os relógios que andam pra frente, mostrar a língua para os mais velhos, e cutucar o bem saber dos espertos, o franzino, imaginativo, desgostoso do futuro, apostou na ideia do bem fazer e do ajudar os outros, já que não podia mais se ajudar. Montou uma barraca em frente à casa e vendia suas coisas a assovio. Com o dinheiro ganho, buscava ajudar a todos a quem achasse ter direito neste mundo em declínio.
Mas nada parecia ter a possibilidade de mudar sua história.

Foi então que teve um sonho. Segundo ele, estava em frente ao espelho, de cabelo arrepiado, vendo refletido: PESSOAS INCONDICIONAIS.
A partir dali, tudo mudou. Para pegar atestado de loucura é só aplicar à realidade um pequeno status de desatenção.

Eram cinco refeições pela manhã, cinco à tarde, e cinco à noite. E em determinado ponto cardeal do dia, tinha de pôr tudo pra fora.

Não era mais suficiente ser incondicional aos outros. "Trata-se de revirar-me do avesso para vencer a doença". Começou a então regurgitar todas suas células. Ele sabia por aulas mal dadas na escola que as células se regeneram, e que o corpo praticamente troca toda sua vestimenta celular por várias vezes durante a vida. Então era só acelerar o processo. Osteoblastos, células epiteliais, adiposas (já eram muitas para a idade dele), coronárias, nervosas, e musculares, pois haja força pra bancar todo esse processo. Renová-las era sua meta.
Começou por criar um espaço só seu: O vomitório.
Era um tapa na loucura normal. Durou não mais que uma semana esse acesso.

No terceiro ano, último para ele segundo a predição médica, sentiu ter achado a fórmula, parecia ter despistado a morte.
Uma mistura de devaneio meditativo, acrescentado a um leve choque com ondas magnéticas que “tomava” num médico-de-esquina, fizeram seu espírito parecer mais leve.

Talvez conseguisse espantar seus desejos, memórias, enfim, toda essa bobagem que carregamos contra a nossa vontade.
Não era só para seu problema coronário que não havia remédio. Era como se vivesse entre dois espelhos, de imagens não falsas, mas enganadoras e ilusórias;



Um espelho mostrava o semblante da saudade, e o outro o infinito sem futuro.
“Aliás, quem disse que o infinito tem coração?” – Perguntou-se ele.

Ele sabia que no fundo, morrer poderia ser uma experiência enlouquecedora, muito mais fantasmagórica e angustiante que seus belos achaques diários extravagantes.

Se obra das moléculas do destino ou permissão de um herói elevado a Deus tocando atabaque no céu, sua mãe veio com uma inesperada notícia:
“Venha ver, filho, é um presente”.
Imagino que vocês imaginem o que ele imaginou…
Traduzindo: Slow motion da frustração. Sua mãe trouxe-lhe um presente que de grego não tinha nada, acho que veio lá de Bagdá, tão distante era aquela peça medieval: Um dos primeiros troféus que seu irmão tinha ganhado na sua caminhada à glória juvenil. E quem havia colocado aquela ordem de felicidade na mão do feliz irmão naquela época fora justamente ele, este menino que vos pede a licença para viver mais um pouquinho aqui. E esta era uma das suas lembranças mais doídas, justamente por ela ter sido uma das mais felizes que já experienciou.

No dia seguinte, assim como fazia todos os dias de sua honrosa vida, acordou cedo.

Pegou a mochila e a guardou bem perto do peito. Não iria à escola…

Era cedo, mas cedo é um pouco tarde para quem não quer levar nenhuma bagagem para a viagem.



Caio Garrido



16 de maio de 2011

Por entre parêntesis

Abro este parêntesis
para tomar fôlego
Contemplar o prazer sufocado
esse desejo inextinguível
inigualável
irrealizável

Abro este parêntesis
como se a penetrasse
como se gozasse em ti

derramasse tudo a quilo
.....................a fundo

(Entre parêntesis,
escuto o barulho do mundo)

10 de maio de 2011

Ultimamente...

Ultimamente...

a proximidade do céu me assusta.
Não precisamos de luneta para avistarmos a carne da lua.
Ela se confunde com o brilho e o barulho da rua, com a infinitude dos astros que insistem em não cair. Inquieta-me saber que não existe em cima ou embaixo, esquerda ou direita. Tudo Está. Ou melhor, Tudo É.
E as coisas sendo, tão antigas quanto a História, ali, próximas a mim, na consequência drástica de ser humano.
A consciência de que o fim da noite não existe me perturba.

Deus me permita atirar-me como um cometa, percebendo estrelas...
e os meus que me perdoem... Estou em carne viva...

19 de março de 2011

Lançamento - “Poemas auto-escritos em estado de Sonambulovisão”





A obra “Poemas auto-escritos em estado de Sonambulovisão”, segundo livro de Caio Garrido, é um Inconsciente em ebulição. Para poder existir uma nova poética é preciso que haja um novo olhar frente ao mundo, ao universo e ao criterioso universo de um “Eu” em busca de expansão. Para que seja uma evolução ilimitada de mente, espírito, e coração, a poesia tem que retornar ao Antes do Começo. Um retorno quase “paleolítico”, aos meandros da mente e seus desejos. Caso olharem de frente para os poemas e poesias contidas neste livro, estarão próximos a uma visão que se aproxima da leitura de um mito. Leitura não no sentido concreto, mas de uma abstração em que os processos do pensar se sobrepõem, se misturam, se confundem.



Os “Poemas auto-escritos em estado de Sonambulovisão” nos obrigam, como leitores, a sonhar o tempo todo. É que a poesia é algo tão pessoal e subjetiva que ela só pode ser descrita na vivência auto-sonambúlica do autor. Não obstante a sua capacidade de ser metafísica, ela me parece ser anterior à linguagem quando esta se articula através de letras (sons) e palavras (fonemas). Poesia que refresca como um novo nascimento, podendo nos propiciar uma nova maneira de rimar e sonhar.

Prefácio de David Azoubel.
Arte da Capa: Jonas de Sene.

Lançto.:
Data: 7 de maio a partir das 19:30 hs
Local: Templo da Cidadania
R.Conde Afonso Celso, 333, Rib.Preto

+informações e vendas pelo blog:
http://www.caiogarrido.blogspot.com/




Para download do primeiro livro de Caio Garrido, o Romance “Pena que foi Ontem”:
http://penaquefoiontem.wordpress.com/2011/03/19/download-do-livro-pena-que-foi-ontem/



9 de março de 2011

O Limite do Infinito


lançar-me sobre o seu olhar
é cair de pára-quedas em terras desconhecidas
cair de pés desamarrados,
derramado em terras nuas e sem margens

Desviar de abismos
correr que nem criança
sabendo que não precisarei de braços
para me acolher ou me tocar

Hoje…

só quero me conter no seu olhar.

Lá será meu limite
meu infinito

30 de dezembro de 2010

Adeus

Já queimei todos os aviões do aeroporto
Já afundei todos os navios do porto
Já concretei todas as dobradiças das portas
.
mas continuo querendo partir...

Onde Nascem as Chuvas


Onde nascem as chuvas?
No roçar das nuvens?
Do Sol?
Na face Sul ou Norte das cordilheiras?
Nos alpes andinos?
Nos nébulos londrinos?
Da comunicação com Sófocles?
Ou do Abraço já partido?

18 de agosto de 2010

Dormi num Copo d’água


Guardo o silêncio aonde ele não cabe

Ele tomou cacetada, jogou pela vida, sem sapato, sem raspar o pêlo, sem meia, sem futuro… Meio cutucado, desprezado, bradou pela vida inteira, mas um dia se encantou…

Em toda caricatura me pergunto: é pra falar de se quê, é pra se falar de quê, do que é pra se falar…

Em que a fuga dorme?
Em que o sol não mata?
Como dormir num copo d’água?

Ai, se as escrituras falassem…
Se os homens não mentissem, matassem, não jogassem…
Seria tudo preto no branco, sem escândalo?

Do que viveríamos, de fome?

Ai, se os mortos voltassem…
Os mistérios, tais quais, se descortinassem…
Como quatro olhos fechados, que não precisassem se abrir para se enxergarem…

Para isso, um dia, para apenas imaginar,…
É preciso dormir num copo d’água

Que estrela branca no céu, pede pra não ser encarada?
É pra ti, branca folha de papel, que deito minha obra…

Toxicômano da vida, no prazer satisfação procurou… E o mistério da vida, por toda a vida, não achou…

Então…

Dorme no canteirinho, cheira a bela flor da canção…
Não, não precisa dizê-la não... Dela…
Ela sempre estalará, estaralá, na canção… não morrerá… ?

Assim como no copo, e com seu corpo dentro d’ água, podes imaginar, na estrela cadente do teu coração, pode deixar se dominar…

Denomina então:

Viver meu dilúvio
Talvez isso seja
Talvez isso seja…
Como dormir num copo d’água…
Ainda bem que posso ser anfíbio.

Não dá mais pra viver (morrer) no meu leito raso…

26 de julho de 2010

Mais uma Vida sem Você

Será um Carma?
Imagética idealizada?
Supurando em meu coração?


Joguei as chaves fora
Entrei no mundo de penetra
A Vida me encheu de porrada
Tive de aprender a andar,
a engatinhar, a nadar,
a comer, a falar, se expressar,
me identificar, criar asas e espatifar
À identificação cultivar,
cativar,
ler, escrever, apagar…
Não, não posso apagar quem fui, quem sou.
O mais difícil,
O mais difícil foi aprender a Amar
Do medo de não Ser,

Na tentativa de
Tentar na verdade a-prender o Amar
Muitas vezes, muitas Vidas,
Posso ter perdido…
Você.

6 de julho de 2010

Festa de Outono Livre

Quero um Outono livre
Livre das folhas que caem

23 de maio de 2010

O que as Árvores ocultam

O que as árvores ocultam?
Os animais selvagens?
O ninho dos pássaros?

Tem gente que não vive pra beijar a luz
tem gente que não vive pra crescer assim

As ideias na sombra talvez nos sejam vantajosas
Estão protegidas de serem cegadas pela luz
Mas sua natureza já é da luz

Debaixo dos galhos dela
O "vazio"
O desejo e seu odor

Amalgamados à terra,
podemos assim ser o pensamento sem pensador?

O Peixe Dourado

http://penaquefoiontem.wordpress.com/2010/05/23/o-peixe-dourado/

8 de maio de 2010

Pena que Foi Ontem


Meu primeiro livro, um Romance em Prosa e Poesia – “Pena que Foi Ontem”, estará sendo lançado dia 22 de maio (sábado) no Templo da Cidadania em Ribeirão Preto . Endereço : R. Conde Afonso Celso, 333. às 20:00 hs.

Mais detalhes no blog:
http://penaquefoiontem.wordpress.com/

Vendas: contatos por email
(email está no blog do livro)

Abrs...

24 de abril de 2010

Me diga porque visto branco...

Se visto verde é pra te entreter?
Se visto amarelo é pra aparecer

Se visto azul
Acorde e sinta-se em casa

Se desabotoo seu vermelho
é porque não estou mais rubro
e é pra ver
ver você sacolejar
e pra entender
que se visto preto é pra enlouquecer

E se visto Branco

é pra te comer com os olhos.

28 de fevereiro de 2010

Poesia que me Olha

A Poesia não liga pra mim
Não me encara de frente...
Meu Nome, aqui não tem nome

Não tenho como abarcar em vida,
todos os "Eus" que em mim aportam
Por isso, a Poesia parece-me uma enchente
ela não me olha de frente

Um dia, haverei de tecer uma palavra
Uma só palavra
Tal como as quatro notas primordiais de Beethoven
que encantam em sua simplicidade
e no modo que a todos invade
Neste dia, a Poesia há de me olhar, me amar
e talvez...
algo a me dizer
e não eu a ela

4 de novembro de 2009

Twitter

Olá, queria convidar aos leitores que tem ou não twitter a entrarem no meu espaço lá no twitter, que tem novidades sobre o blog Música Contemporânea e outros blogs que mantenho.

http://twitter.com/caiogranello/

20 de outubro de 2009

Recentes publicações pela Net

Olá, pessoal,
Segue links de textos meus publicados recentemente em sites e blogs da internet...
Abrs...

http://www.nucleotavola.com.br/integra.php?integra=127 - Resenha na Revista Távola sobre o livro "A Hora da Estrela" -Clarice Lispector – Entre a Ficção e a Realidade.

http://www.nucleotavola.com.br/integra.php?integra=1 - Pequeno Artigo publicado no Site do Núcleo Távola : Budismo e Psicanálise: Um caminho possível ?

http://www.luz-e-terra.com.br/diversao/materia.php?id=84 - A Arte da Sublimação

http://www.saindodamatrix.com.br/archives/2009/07/a_arte_da_subli.html - A Arte da Sublimação

http://recantodasletras.uol.com.br/contosdefantasia/1836508 - Conto - "O Pulo do Gato em Chamas"

6 de setembro de 2009

Conto - O Pulo do Gato em chamas


Esclareço aqui para vocês, o voto de castidade que o gato Fanjo fez.

Desde que nasceu, jurou guardar à contento seu falo, seu vulto. Vulto, porque por não conseguir se olhar por baixo, achava que tinha um troço insosso no meio de suas pernas. Não conseguia ver seu falo como os cachorros conseguem o ver quando arqueiam seus corpos junto aos postes e pernas amareladas de seus donos.

Por assim explicado, eis que surge um dia uma bela cachorrinha, gulosa que quase morde seu pinicoso. Neste dia homérico, o gatinho Fanjo, domesticado por si mesmo, sentiu algo diferente. Suas pupilinhas dilatadas quase lhe explicavam silenciosamente que não precisava enxergar para desejar. Foi assim, num rompante, que o gato antes calado, frígido (se é que pode-se dizer assim), impotente, estéril e intocável, começou a miar. E miava alto, quase gritando.

Todas as vezes que passeava, miava à procura da bela cachorrinha.

Em um dia atípico, que os pássaros não voavam no céu, e os homens com seus cornos evitavam a Torre Eiffél, o gato pulou, e em meio à turbulentas chamas instintivas, alçou vôo esplêndido ao mar, em que dizem que os peixes-pássaro anunciaram sua morte e lá se tornou eternamente deles. Os peixes-pássaro cuidaram de seu corpo. Um honroso destino para quem não conseguia destinar seu desejo. Conseguiu nadar e até voar!

8 de agosto de 2009

Ícone da Silva


Nos deixou com inúmeros vestígios
De uma existência inexata
De inexorável desmedida paixão
Pelas retas de Interlagos
Os lagos passavam velozes
E gotas d’água
Eram chuvas desencaradas de pura emoção

Anteveio ao mundo
Predestinado
Deu seu testemunho
E em kilômetros por segundo
Cruzou a curva sem tração

Não tem problema
Esse era seu destino
Desatinado por si mesmo
Não fingia ser celebridade
Não fingia ser ator
Sequenciava de ouvido
E de memória ávida
O barulho de seu motor

Aponta livre na reta
Acenando sua bandeira
Deixando na pista
Sua nobre compaixão
Sua alma nos deixa
Sem pistas
Sem razão

21 de julho de 2009

A Medida da Sublimação

Ato concreto ou proferir desejos sem objeto?
Posso as palavras aqui medir?
Ou atitude desmedida preferir?
Por favor, me diga
Quais fatos tu queres ouvir?
São ou embriagado
Sansão matou o leão pardo:
Não são palavras malditas
Palavras eruditas
São palavras ainda não ditas


Ditongo ou Tritongo
Eis a questão
Prosear frases sem tesão
É como transar sem dizer palavrão
Sublime a vida
Sublima a ação
Verter este sangue em vocábulos
Põe meu mundo em rotação

25 de junho de 2009

Tua mais bela Sombra



Cavalgar no teu paraíso
é como entorpecer-me com a força da luz,
E a estrela que passa sem decadência,
força o couro e expulsa a prece.
Vem cá e me aquece
com teu tolo sorriso doce,
e deita em mim.
Jura aquilo que em ti se esconde
e abrace o que nunca falar-te comecei.
E nem sei por onde
Porque se acaso revelar-te
Até o que há em tua sombra virará arte

3 de junho de 2009

Odes Assimétricas à Lua

Hoje eu quis sonhar
Sonhar com um dia de noite clara
E que de dia a lua pudesse ver

Famigerada e circense
Ó Lua, bem amada
Olho-te e me enobreço
Fantasio um espetáculo sem endereço

Vastidão mágica
de esperança única
Audaz Expressão
De costas não te vejo
Mesmo assim sua luz ensejo
Em sânscrito
as palavras não tem clarão
Em português
eu juro que te canto
Mas há uma língua
Que bordada em ti
rouba um significado
Do menos triste,
meu simples coração.

19 de novembro de 2008

Saudades

Distância inencontrada
Assobio inesperado
Vindo do céu
Aviso meio amargo
Que jorra ausência e saudade
A partir do que disser
Será seu
A partir do que pensar
Será seu
A partir para amar quando de novo te encontrar


Poema dedicado à minha querida Vó Luiza (1921-2008)

4 de novembro de 2008

Amor


A maior frustração do amor não é perder a pessoa amada ou deixar de ser o objeto do amor do outro. A maior frustração do amor é poder vivenciá-lo em si mas não consumá-lo , ou não compartilhá-lo.


Identidade

Extraviado pelo tempo
Tempo Oco...
No magro canto da sala
Me escorre pelos dedos
O sangue da vertigem
de ser Eu...