18 de agosto de 2010

Dormi num Copo d’água


Guardo o silêncio aonde ele não cabe

Ele tomou cacetada, jogou pela vida, sem sapato, sem raspar o pêlo, sem meia, sem futuro… Meio cutucado, desprezado, bradou pela vida inteira, mas um dia se encantou…

Em toda caricatura me pergunto: é pra falar de se quê, é pra se falar de quê, do que é pra se falar…

Em que a fuga dorme?
Em que o sol não mata?
Como dormir num copo d’água?

Ai, se as escrituras falassem…
Se os homens não mentissem, matassem, não jogassem…
Seria tudo preto no branco, sem escândalo?

Do que viveríamos, de fome?

Ai, se os mortos voltassem…
Os mistérios, tais quais, se descortinassem…
Como quatro olhos fechados, que não precisassem se abrir para se enxergarem…

Para isso, um dia, para apenas imaginar,…
É preciso dormir num copo d’água

Que estrela branca no céu, pede pra não ser encarada?
É pra ti, branca folha de papel, que deito minha obra…

Toxicômano da vida, no prazer satisfação procurou… E o mistério da vida, por toda a vida, não achou…

Então…

Dorme no canteirinho, cheira a bela flor da canção…
Não, não precisa dizê-la não... Dela…
Ela sempre estalará, estaralá, na canção… não morrerá… ?

Assim como no copo, e com seu corpo dentro d’ água, podes imaginar, na estrela cadente do teu coração, pode deixar se dominar…

Denomina então:

Viver meu dilúvio
Talvez isso seja
Talvez isso seja…
Como dormir num copo d’água…
Ainda bem que posso ser anfíbio.

Não dá mais pra viver (morrer) no meu leito raso…